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Sporting vs. Leça. Os recordes do 14-0 e o dos nove golos de Peyroteo PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Terça, 21 Fevereiro 2012 11:22

120221_peyroteoA 22 de Fevereiro de 1942 há o clássico FCP-SLB, mas o que é isso comparado com “o dois em um” dos leões?

 

Excluído à base dos regulamentos, por não terminar nos dois primeiros do seu campeonato regional, o FC Porto acaba por entrar na 1.a Divisão em 1941/42 com a ajuda da Federação Portuguesa de Futebol, que alarga a competição para 12 equipas. Dessa vez vai do Minho (Vitória de Guimarães) ao Algarve (Olhanense).
No novo sistema, o Benfica ganha a liga com quatro pontos de avanço sobre o Sporting, resultantes de duas vitórias sobre os leões (4-1 no Lumiar e 4-3 no Campo Grande). Honra lhe seja feita, o título de campeão assenta bem aos benfiquistas, mas os sportinguistas também conquistam um título, ou uma espécie de – tão ou mais memorável até por continuar a ser falado ao longo de 70 anos. Falamos do 14-0 ao Leça, o resultado mais desnivelado de sempre no campeonato nacional.

 

Estamos a 22 de Fevereiro de 1942 e é domingo, 6.a jornada da 1.a divisão. No calendário há um FC Porto-Benfica. O quê, FC Porto-Benfica (4-1) na Constituição? Ó meus amigos, isso não é nada comparado com um Sporting-Leça! Aliás, com este Sporting-Leça. Nessa tarde de chuva, os leões não só entram na história pelo resultado (ainda hoje a oitava maior goleada de sempre a nível mundial) como também por Peyroteo, autor de nove golos. A avaliar pela crónica no “Diário de Notícias”, o internacional português até podia ter feito mais. “Com mais empenho por parte de Peyroteo, é de crer que tivesse estabelecido um recorde ainda mais impressionante.” Então o homem marca quatro golos na primeira parte, cinco na segunda e ainda o acusam de molenga? Xiiii... Nos dias de hoje, em pleno século xxi, Peyroteo é uma referência incontornável como o goleador mais eficaz de sempre no futebol mundial, graças à média de 1,67 golos (330) por jogo (197) no campeonato nacional. Superior a Pelé, Puskas, Di Stéfano e muitos outros. Daí que continue a ser referido em blogues da especialidade como um dos mais talentosos avançados do pós-Guerra e pré-Pelé.

 

No Lumiar, o Sporting treinado pelo húngaro Jopseh Szabo não joga apenas com Peyroteo. O onze, vestido de verde-escuro, começa com o guarda-redes-espectador Azevedo, continua com os defesas Rui de Araújo e Cardoso, prossegue com os médios Aníbal Paciência, Daniel e Marques para desaguar no quinteto de avançados com Mourão, Soeiro, Peyroteo, Canário e Cruz. O Leça, equipado à Sporting, responde com Jaguaré (brasileiro, titular do Sporting em 1936 e conhecido como o primeiro guarda-redes a usar luvas em Portugal); Godinho e Valdemar; Juca, Elísio e Rocha Lima; Chelas, Nini, Lúcio, Quecas e Joaquim. Na segunda volta, o Sporting só ganha 3-0. Sem Peyroteo claro. Senão...
A verdade é que esse campeonato é notável pela quantidade de goleadas por oito golos de diferença ou mais. Ora veja: 4.a jornada (9-1 no Sporting-V. Guimarães e 10-1 no Unidos de Lisboa-Ac. Porto), 6.a (14-0 no Sporting-Leça), 12.a (10-1 na Académica-Barreirense), 14.a (11-2 no Sporting-Académico do Porto e 9-1 no Académica-Carcavelinhos), 16.a (12-1 no FC Porto-Carcavelinhos e 9-0 no Belenenses-Leça), 17.a (11-1 no Barreirense-Vitória de Guimarães), 19.a (9-0 no Académico do Porto-Olhanense) e 20.a (9-0 no FC Porto-Olhanense). O 14-0 do Sporting ao Leça (que desce de divisão) é o resultado mais gordo. Que até podia ser mais volumoso ainda, porque Canário atira duas bolas ao poste e o árbitro setubalense Palma Soeiro anula mal um golo ao Sporting por fora-de-jogo inexistente, de acordo com o cronista do DN.

Em Portugal nunca se vira uma coisa assim e jamais se viu. No resto do mundo, só o 19-0 do Flora Tallinn ao Mardu em 1992, o 17-1 do Apoel Nicósia (que apanha 16-1 do Sporting na maior goleada das competições europeias) ao Aris Limassol em 1966 e o 15-1 do Slavia Praga ao Ceske Budejovice em 1947 ultrapassam a raça do leão. Já os números de Peyroteo, inultrapassáveis. Nove golos em 90 minutos é muito. Mesmo que não se tivesse esforçado por aí além...

 

In ionline.pt


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