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Quarta, 24 Abril 2024
Duílio. "Informaram mal o Burkinshaw e chegámos a Penafiel a 15 minutos do jogo" PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Sábado, 30 Abril 2011 22:56

Foto: Duílio no  Sporting-4 Chaves-1 (Manuel Fernandes 34' e 57', DUÍLIO 40' e Meade 84')Três épocas no Sporting e mais três no Portimonense fazem deste brasileiro um dos poucos jogadores da história a jogar pelos dois clubes que hoje se defrontam em Alvalade

 

Duílio pai foi o melhor marcador do Coritiba, com mais de 200 golos, de 1954 a 1963). Duílio filho não chegou a tanto, proque era defesa ma stambém deixou a sua marca. Foi campeão brasileiro pelo Fluminense, em 1984, ao lado de Ricardo Gomes, e aventurou-se por Portugal.



É ele um dos poucos jogadores que dividiu a carreira entre Sporting e Portimonense, os dois clubes que hoje jogam para o campeonato nacional. Duílio (a partir de agora, só falaremos do filho, embora seja o Dia da Mãe que esteja aí à porta) ganhou fama de levanta-troféus: Supertaça nacional pelo Sporting, Taça de Portugal pelo Estrela da Amadora e Campeonato da 2.ª divisão, zona sul, pelo Portimonense. De regresso ao Brasil, Duílio conta ao i o best of de Portugal.

Famoso por marcar livres com força e colocação, Duílio chegou a Alvalade em 1985. Estreou-se frente à Académica. O treinador era o inglês Keith Burkinshaw.

Você sabe em que circunstâncias em que ele foi despedido?

Não. Como bom inglês, não devia fazer substituições.

Isso é verdade. Quanto muito, uma substituição. Mas não, não foi por isso.

Então?

Houve um problema de interpretação. Estávamos a estagiar no Porto e íamos jogar a Penafiel. DIsseram-lhe que se saísse às 14 horas, chegaria a tempo e horas para o jogo das 16 h. Acontece que naquela altura ainda não havia auto-estradas e demorámos 1h45m para chegar ao estádio. Ou seja, chegámos a Penafiel 15 minutos antes do jogo. Havia muitos camiões na estrada, que era estreita e sem muita visibilidade.

E o jogo propriamente dito?

Perdemos 4-0. Eu joguei a trinco. Se não me engano, foi a maior vitória do Penafiel de sempre na 1.ª divisão. Com esse resultado, na última jornada da primeira volta, baixámos ao nono lugar da classificação. O Burkinshaw saiu e foi substituído por António Morais. Que fez o resto da época, terminada com uma goleada por 7-0 ao Penafiel. Eu marquei o primeiro golo.

Por falar nisso, qual foi o golo mais bonito?

Olha, vou escolher um golo importante e não um bonito. Em Abril de 1987, fui acordado à uma da manhã no hotel de estágio do Sporting. O meu filho estava num hospital particular, com febre alta de 42 graus e a ter convulsões. Desci ao hall do hotel para informar os dirigentes e o treinador, o Burkinshaw, não me queria deixar sair do hotel. Aí, disse-lhe que não precisava mais de contar comigo, porque a família estava à frente de tudo. O Burkinshaw, então, recuou e aceitou libertar-me naquela noite. Comigo, veio o massagista Leonel. No hospital, o meu filho estava esticado numa maca, de olhos fechados. Foi então que lhe segredei ao ouvido para ele abrir os olhos. Só assim podia dormir descansado e marcar-lhe um golo no dia seguinte. Ele abriu os olhos, eu fiquei feliz da vida porque vi progresso e cumpri a promessa com um golo ao Chaves [4-1 para a Taça de Portugal]. Avancei pelo campo, tabelei com um companheiro, recebi, meti a bola no Mário, que abriu as pernas e fez o túnel para o Paulinho Cascavel. Eu continuei a correr, entrei na área, recebi do Paulinho, fintei o guarda-redes e marquei com o pé esquerdo. Foi o golo mais importante da minha carreira.

E o momento mais importante?

Uii, há muitos. Levantar a Taça de Portugal como capitão do Estrela da Amadora (2-0 ao Farense em 1990), marcar um golo na Taça UEFA pelo Estrela ao Liège, ganhar a Supertaça portuguesa ao Benfica pelo Sporting, interromper uma série de 87 jogos invicto do FC Porto em casa naquele célebre 1-0 nas Antas que nos qualificou para a final da Taça, perdida para o Benfica, na mesma época em que demos 7-1. Tudo, tudo, tudo isto foram momentos significativos. Mas talvez o do Estrela seja o mais glorioso. Era o capitão de equipa. Saí do Sporting nas eleições ganhas pelo Jorge Gonçalves e o Estrela acenou-me com uma proposta irrecusável, feita por Armando Biscoito, um ex-dirigente do Sporting, um homem de caracter que todos prezávamos. O João Alves, treinador do Estrela, acreditou em mim e formou uma equipa jovem cheia de força e talento, como Paulo Bento. Quando levantei a Taça, foi o delírio. Pena que o Estrela esteja agora nesta situação. É duro estar aqui no outro lado do Atlântico a ver o clube a desaparecer lentamente. Mas ficam as recordações, as fotografias.

É como o Portimonense?

Ai ai que saudade. Fiz tantos amigos no Portimonense. Amanhã, só quero que os adeptos saiam a ganhar desse jogo, seja 0-0 ou 5-5.

 

In ionline.pt

 



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